
O percurso coerente e consistente de Mário Nascimento na dança brasileira se pauta por uma saudável e permanente inquietação investigativa. Ela é o motor propulsor do seu jeito de inventar essa dança que carrega a sua assinatura. Helena Katz – Estado de São Paulo
Próximas Apresentações e Cursos
domingo, 11 de março de 2012
Sete Lagoas

sexta-feira, 9 de março de 2012
Milton Santos
Professor Milton Santos
Milton Almeida dos Santos foi o maior geógrafo Brasileiro. Nasceu em 1926 e apesar de ter se graduado em Direito,destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas da geografia, em especial nos estudos da urbanização do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970 e alcançou reconhecimento internacional.
Foi um dos mais famosos intelectuais negros brasileiros e sua notoriedade vem dos longos anos de conhecimento dos problemas urbanos que afetam as nações subdesenvolvidas nos dias atuais, sendo por isso, respeitado mundialmente. Sofreu perseguições políticas e exilou-se na França, onde pôde doutorar-se em Geografia. Autor de diversos trabalhos e livros acadêmicos, suas obras são editadas em diversos países. Em função de suas atividades políticas de esquerda, foi perseguido por seus adversários e pelos órgãos de repressão do Regime Militar.
* A pesquisa para a próxima criação de Mário Nascimento está sendo sobre nomadismo e a bibliografia usada é de Milton Santos.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Poesia ESCAPADA
No princípio amava as pessoas.
Pensava que tudo seria certo e justo.
Até que houve a primeira partida;
a segunda, a terceira...
Sempre tinha alguém escapando de mim.
Nunca gostei das despedidas,
embora tenham sido necessárias.
A dúvida me trazia um aperto
e a certeza me segurava o choro.
Só choro quando estou só.
De preferência no escuro.
É quando não me seguro
e grito.
Da minha sorte tinha uma certeza:
nasci pra ficar sozinho.
Sem amor e sem carinho,
apenas um copo na mesa.
No princípio amava as pessoas.
Não pensava que tudo seria incerto e injusto.
E cada escapada doía tanto
que fui deixando o amor de lado.
O amor foi ficando sem jeito
e o coração batendo calado no meu peito
foi construindo um muro
- bem duro -
de pedra e aço,
que arrebentava qualquer laço
ou tentativa de abraço.
Que não deixava ninguém entrar
e que não me deixava sair.
Foi quando parei de sentir
e fiquei assim, anestesiado.
Um homem vivo com o olhar parado.
Não sentia dor, não sentia amor.
Tentei escapar da vida.
Mas não consegui escapar de mim.
Poesia FALADORES
Se eu por tantas vezes te perdi
Num sinal de total abnegação
Não foi essa a minha intenção
Eu quero aquela que estava aqui.
Agora falo por mim e falo por ti.
Venha já pra me confortar direito
Quero de volta a palavra no meu peito
Libertando tudo o que estava trancado
E me diz o que foi que fiz de errado
Pra vocês me olharem desse jeito?
Agora falo por mim e falo por ti.
Venho tentando um discurso eloquente
E não importa se você não entende agora
Afinal são tantas línguas mundo afora
Pois vivemos na Babel inconsciente
Acreditando na mesma força onipresente
Chamada Deus, Jeová ou outro eleito
Presidente, governador, prefeito
Mestre, doutor ou bem letrado.
Qual palavra foi entendida errado
Pra vocês se olharem desse jeito?
Agora falo por mim e falo por ti.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
workshops e palestras 2012

AGENDA 2012 - espetáculos
- PALCO GIRATÓRIO - 13 de novembro - Salvador, BA
- PALCO GIRATÓRIO - 20 de setembro - Cuiabá, MT
- PALCO GIRATÓRIO - 13 de setembro - Boa Vista
* 24 e 25 de agosto - Manaus, AM
* 11 e 12 de agosto - Brasília, DF
* 9 e 10 de março - Sete Lagoas, Mg - Casarão - Centro Cultural Nhô Quim Drummond - 20:00hs
- PALCO GIRATÓRIO - 4 e 5 de agosto - São Paulo
- PALCO GIRATÓRIO - 1 de agosto - Belo Horizonte
* 29 de junho - Viçosa, MG
- 20, 21 e 22 de janeiro - TERRITÓRIO NU - em Belo Horizonte, MG - Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, sex e sab 21:00hs e dom 19:00hs - Verão Arte Contemporânea
PARADA 7 - estréia 2012 : 10 de julho, no Horizontes Urbanos
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| foto Ed Felix - NA LATA |
* 10, 11 e 12 de julho ESTRÉIA - HORIZONTES URBANOS - Belo Horizonte, MG
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Território Nu - crítica de Miguel Anunciação
"Território Nu" é outro acerto admirável
Miguel Anunciação - mfernando@hojeemdia.com.br
Mais recente criação da Cia Mário Nascimento, "Território Nu" estreou no final de outubro passado , abrindo a 15a edição do Fórum Internacional de Dança, que lhe destinou recursos de produção. Além de uma honra, abriro FID é oportunidade rara à produção local, uma distinção jamais ocorrida antes.
De volta só agora, e novamente no palco do Oi Futuro/ Teatro Klauss Vianna, pela programação da 6a edição do Verão Arte Contemporânea, o espetáculo reafirma as razões do destaque obtido no FID, pois consegue estar à altura de "Faladores", provavelmente a criação mais respeitada da Cia, e acima de "Escapada", embora "Escapada" também seja bastante defensável.
"Território Nu"é um acerto admirável. Desde a trilha sonora impecável de Fábio Cardia, que proporciona uma porção de nuances rítmicas, de gêneros musicais variados. Uma aposta muito provável aos prêmios da categoria. Os figurinos acompanham a atmosfera urbana e contemporânea da coreografia, talvez composta em coletivo.
E se a iluminação não contribui mais, por evitar cores e desenhos menos sóbrios, o elenco reconfirma o nível excelente. Exibe domínio absoluto dos movimentos, boa parte deles no solo, tão atléticos e atrevidos quanto empolgantes. Um grupo de talento homogêneo, mesmo que Rafael Bittar tenha se despedido na sessão de domingo, para ir se juntar ao Grupo Corpo.
Como ocorria em "Faladores", Rosa Antuña assume um papel específico: além de dançar, canta e balbucia um idioma inventado - como um ser falador. A quem é dado um lugar diferenciado, à altura das experimentações e ressonâncias que permite aos seus, digamos assim, canais de expressão. Mais que bailarina, uma artista em plenitude.
Como diretor, Mário Nascimento acerta de novo ao propor algo que ultrapassa expectativas, entre um espetáculo e um organismo. Algo vivo, radiante, que se aproxima do expontâneo, do improviso, mas sem abdicar da riqueza do que foi preparado de antemão. Tão sintonizado com a vida, com o trânsito feérico dos tempos atuais que seduz espectadores de qualquer idade. Embora não se atreva a ser ainda mais erótico, o que talvez só lhe faria muito bem.

foto de Cuia Magalhães


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