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26 e 27 de agosto - ESTREIA: ESPELHO DA LUA no Festival Dança em Trânsito

Belo Horizonte:
23 de setembro, sábado - ESTREIA : ESPELHO DA LUA no Teatro Bradesco

Paris:
20 e 21 de outubro: ESPELHO DA LUA - Dança em Trânsito

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Território Nu - crítica de Miguel Anunciação

Jornal Hoje em Dia - Belo Horizonte, 24 de janeiro de 2012

"Território Nu" é outro acerto admirável

Miguel Anunciação - mfernando@hojeemdia.com.br


Mais recente criação da Cia Mário Nascimento, "Território Nu" estreou no final de outubro passado , abrindo a 15a edição do Fórum Internacional de Dança, que lhe destinou recursos de produção. Além de uma honra, abriro FID é oportunidade rara à produção local, uma distinção jamais ocorrida antes.

De volta só agora, e novamente no palco do Oi Futuro/ Teatro Klauss Vianna, pela programação da 6a edição do Verão Arte Contemporânea, o espetáculo reafirma as razões do destaque obtido no FID, pois consegue estar à altura de "Faladores", provavelmente a criação mais respeitada da Cia, e acima de "Escapada", embora "Escapada" também seja bastante defensável.

"Território Nu"é um acerto admirável. Desde a trilha sonora impecável de Fábio Cardia, que proporciona uma porção de nuances rítmicas, de gêneros musicais variados. Uma aposta muito provável aos prêmios da categoria. Os figurinos acompanham a atmosfera urbana e contemporânea da coreografia, talvez composta em coletivo.

E se a iluminação não contribui mais, por evitar cores e desenhos menos sóbrios, o elenco reconfirma o nível excelente. Exibe domínio absoluto dos movimentos, boa parte deles no solo, tão atléticos e atrevidos quanto empolgantes. Um grupo de talento homogêneo, mesmo que Rafael Bittar tenha se despedido na sessão de domingo, para ir se juntar ao Grupo Corpo.

Como ocorria em "Faladores", Rosa Antuña assume um papel específico: além de dançar, canta e balbucia um idioma inventado - como um ser falador. A quem é dado um lugar diferenciado, à altura das experimentações e ressonâncias que permite aos seus, digamos assim, canais de expressão. Mais que bailarina, uma artista em plenitude.

Como diretor, Mário Nascimento acerta de novo ao propor algo que ultrapassa expectativas, entre um espetáculo e um organismo. Algo vivo, radiante, que se aproxima do expontâneo, do improviso, mas sem abdicar da riqueza do que foi preparado de antemão. Tão sintonizado com a vida, com o trânsito feérico dos tempos atuais que seduz espectadores de qualquer idade. Embora não se atreva a ser ainda mais erótico, o que talvez só lhe faria muito bem.





foto de Cuia Magalhães